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Contracepção: como escolher o método certo para você

DIU, implante, pílula ou injetável? Entenda como funciona cada método contraceptivo, o que pesa na escolha e por que só o preservativo previne IST.

Dra. Maíra CamargosCRM/SP 184916 · RQE 108959 (Mastologia) · RQE 96892 (Ginecologia e Obstetrícia)6 min de leitura

Escolher um anticoncepcional parece simples. Na prática, quase nunca é. Você ouve uma coisa da amiga, outra na internet e mais outra da sua tia. Cada mulher que você conhece parece ter certeza absoluta sobre qual é o melhor método.

A verdade é bem mais tranquila do que isso. Não existe um método melhor para todo mundo. Existe o método que combina com o seu corpo, com a sua fase de vida e com a sua rotina.

Neste texto eu explico, em linguagem simples, como funcionam os principais métodos disponíveis no Brasil. A ideia não é entregar uma resposta pronta. É te deixar mais preparada para a conversa na consulta.

Escolher é um direito seu

Antes de falar de método, vale lembrar de algo importante. O planejamento reprodutivo é garantido por lei no Brasil, pela Lei nº 9.263/1996. Em 2022, a Lei nº 14.443 atualizou esse texto e mudou as regras da laqueadura e da vasectomia.

Na prática, o que a lei diz é simples: você tem direito à informação, ao acompanhamento profissional e ao acesso aos métodos, com liberdade de escolha.

Ou seja: a decisão é sua. O papel da médica é te dar informação clara e ajudar a encontrar o que faz sentido para você.

O que pesa na escolha

Na consulta, alguns pontos ajudam a estreitar o caminho:

  • Sua idade e sua fase de vida
  • Se você pretende engravidar, e quando
  • Seu histórico de saúde, como pressão alta, trombose na família, passado de câncer de mama ou enxaqueca com aura, que é aquela dor de cabeça anunciada por alterações na visão
  • Como é a sua menstruação, se o fluxo é intenso ou a cólica é forte
  • Sua rotina, incluindo a facilidade de lembrar de um remédio todo dia
  • Os medicamentos que você já usa
  • Se você precisa também de proteção contra infecções

Nenhuma dessas perguntas é julgamento. Cada uma delas muda a recomendação.

Métodos de longa duração: DIU e implante

Os chamados métodos anticoncepcionais reversíveis de longa duração são o DIU, colocado dentro do útero, e o implante subdérmico, colocado sob a pele do braço. Eles têm uma vantagem grande: uma vez colocados, funcionam sozinhos. Não dependem de você lembrar de nada.

Isso aparece nos números. Segundo a tabela de taxas de falha adotada pela FEBRASGO, a pílula falha em cerca de 9% dos casos em uso típico, ou seja, na vida real, com esquecimentos e imprevistos. O preservativo externo fica em torno de 18%. Já o DIU de cobre fica em 0,8% ao ano, o DIU hormonal em 0,2% e o implante de etonogestrel em 0,05%.

DIU de cobre

É um pequeno dispositivo em formato de T, sem hormônio, colocado dentro do útero em consulta ambulatorial. O cobre torna o ambiente do útero desfavorável ao espermatozoide.

O modelo mais usado no Brasil é o TCu380A, e o Ministério da Saúde informa duração de até 10 anos. É uma boa opção para quem não quer ou não pode usar hormônio. Em algumas mulheres, o fluxo menstrual e a cólica ficam um pouco mais intensos, principalmente nos primeiros meses.

DIU hormonal

Também é colocado dentro do útero, mas libera pequenas doses de levonorgestrel, um progestagênio. Progestagênio é o nome que se dá aos hormônios sintéticos parecidos com a progesterona, que o próprio corpo produz. Ele espessa o muco do colo do útero e dificulta a passagem do espermatozoide.

Costuma reduzir bastante o fluxo e a cólica. Algumas mulheres param de menstruar com o tempo, e isso não é sinal de problema nem reduz a eficácia do método.

Em julho de 2025, a ANVISA aprovou a mudança na bula do DIU hormonal de 52 mg: como método contraceptivo, ele passou de cinco para oito anos. Para as outras indicações, como o tratamento do sangramento uterino anormal e a proteção do endométrio, que é a camada que reveste o útero por dentro, a recomendação segue em até cinco anos.

Implante subdérmico de etonogestrel

É um bastão flexível de cerca de 4 cm de comprimento e 2 mm de diâmetro, com 68 mg de etonogestrel. Ele é colocado sob a pele, na parte interna do braço, com anestesia local, em consultório e sem necessidade de internação.

Funciona de duas formas: impede a liberação do óvulo e altera o muco do colo do útero, o que dificulta a passagem do espermatozoide. Segundo a bula, protege por até três anos.

O efeito mais comentado é a mudança no padrão de sangramento, e ele varia bastante de mulher para mulher. Pela bula, cerca de uma em cada cinco usuárias deixa de menstruar, e cerca de uma em cada cinco passa a ter sangramento mais frequente ou mais prolongado. As demais ficam entre esses dois cenários. O padrão dos três primeiros meses costuma indicar como será daí em diante.

Entre os efeitos descritos como muito comuns estão acne, dor de cabeça, sensibilidade nas mamas, aumento de peso e infecção vaginal. Nada disso acontece com todo mundo, e boa parte melhora com o tempo.

Um ponto que costuma tranquilizar: o implante pode ser retirado quando você quiser, e a fertilidade costuma voltar logo depois da retirada.

Pílula, injetável e os métodos do dia a dia

Aqui entram os métodos que dependem de constância:

  • Pílula combinada, que junta estrogênio e progestagênio, os dois tipos de hormônio mais usados em anticoncepção
  • Pílula só de progestagênio, usada na amamentação e quando o estrogênio é contraindicado
  • Injetável mensal combinado
  • Injetável trimestral de progestagênio
  • Contracepção de emergência, que é um recurso pontual e não um método de rotina

Eles funcionam bem, e para muitas mulheres são a melhor escolha. Só é importante entender o seguinte: quando o método depende de lembrar todo dia, no mesmo horário, a chance de falha sobe. Isso não é descuido nem culpa de ninguém. É apenas a vida real acontecendo.

Preservativo: o único que protege contra IST

Esse ponto merece destaque. O Ministério da Saúde é direto: entre todos os métodos contraceptivos, apenas os preservativos externo e interno protegem contra infecções sexualmente transmissíveis, incluindo HIV e hepatites virais.

DIU, implante, pílula e injetável evitam a gravidez. Só isso. Nenhum deles protege contra infecções.

Por isso existe o conceito de dupla proteção: usar um método contraceptivo somado ao preservativo. Não tem nada a ver com desconfiar de alguém. Tem a ver com cuidar de você.

Alguns medicamentos reduzem o efeito do anticoncepcional

Esse é um assunto que eu sempre levanto no consultório, porque nem sempre ele aparece na conversa.

Existem medicamentos que aceleram a forma como o fígado processa os hormônios. Eles podem reduzir a quantidade de contraceptivo que circula no sangue, o que compromete a eficácia. A própria bula do implante cita, entre outros:

  • Rifampicina, usada no tratamento da tuberculose e da hanseníase
  • Alguns anticonvulsivantes, como fenitoína, carbamazepina e fenobarbital
  • Alguns antirretrovirais, usados no tratamento do HIV
  • Erva de São João (hipérico), um fitoterápico vendido sem receita

Nesses casos, métodos que não dependem desse caminho no fígado, como o DIU de cobre, costumam ser alternativas mais adequadas. Quem avalia isso é a sua médica, olhando o seu histórico completo.

Então conte tudo. Remédio contínuo, remédio novo, suplemento, chá, fitoterápico. Nada é irrelevante nessa conversa.

O método pode mudar, e está tudo bem

Aos 18 anos, aos 30 e aos 45, seu corpo e seus planos são diferentes. O método que foi perfeito em uma fase pode não servir na próxima. Trocar não é fracasso. Faz parte.

Vale voltar à consulta se:

  • O sangramento continua incomodando muito depois de alguns meses
  • Aparece dor de cabeça diferente, forte ou persistente
  • Surge dor em uma das pernas, com inchaço ou vermelhidão
  • Você percebe que está esquecendo a pílula com frequência
  • Seu plano de ter ou não ter filhos mudou

Nada nessa lista significa, por si só, que algo está errado. São apenas sinais de que vale a pena reavaliar juntas, com calma.

Onde encontrar

O SUS oferece gratuitamente preservativos externo e interno, pílula combinada, pílula de progestagênio, injetáveis mensal e trimestral, contracepção de emergência, DIU de cobre, implante subdérmico de etonogestrel, laqueadura tubária e vasectomia.

Em julho de 2025, duas portarias do Ministério da Saúde ampliaram o acesso ao implante: uma para mulheres de 18 a 49 anos e outra para adolescentes de 14 a 17 anos. Essa oferta está sendo organizada aos poucos, e a disponibilidade ainda varia de cidade para cidade. Vale confirmar na unidade de saúde do seu bairro o que já está disponível por lá.

Se você é adolescente, mais uma informação importante: você tem direito a atendimento com sigilo e pode ser atendida desacompanhada.

Uma conversa antes da escolha

Este texto é informativo e não substitui a consulta. Nenhum artigo consegue avaliar o seu histórico, examinar você e indicar o método certo. Isso acontece no consultório, com calma e com escuta.

Se você está em dúvida sobre qual método escolher, quer avaliar a colocação de DIU ou de implante contraceptivo, ou simplesmente sente que o seu anticoncepcional atual não está combinando com você, vamos conversar. Para consulta presencial em Araçatuba, o contato é (11) 92452-2710. Para consulta online, (11) 99106-3654.

Entender o próprio corpo é um passo essencial para a sua saúde. E escolher com informação é uma forma bonita de cuidar de si.

Fontes consultadas

Este texto é informativo e não substitui a consulta médica. Ele não serve como diagnóstico nem como indicação de tratamento para o seu caso.

Sobre este assunto

Perguntas que aparecem no consultório

Quem nunca engravidou pode colocar DIU?
Sim. Não ter engravidado não é impedimento para usar DIU, tanto o de cobre quanto o hormonal. A avaliação leva em conta o histórico de saúde e o exame ginecológico, não o número de filhos. A conversa na consulta define se o método é adequado para o seu caso.
É normal parar de menstruar usando DIU hormonal ou implante?
Sim, é uma resposta esperada desses métodos. O hormônio deixa o revestimento interno do útero mais fino, e o sangramento diminui ou pode cessar. Isso não significa que o sangue está acumulado nem que a eficácia caiu. Ainda assim, qualquer mudança que esteja te incomodando merece uma reavaliação.
Antibiótico corta o efeito do anticoncepcional?
A maioria dos antibióticos comuns não reduz a eficácia do anticoncepcional hormonal. O caso mais conhecido de interação relevante é a rifampicina, usada em tuberculose e hanseníase. Alguns anticonvulsivantes, alguns antirretrovirais e o fitoterápico erva de São João também podem reduzir o efeito. Por isso, sempre conte à sua médica tudo o que você está tomando.
Quanto tempo demora para engravidar depois de tirar o DIU ou o implante?
O retorno da fertilidade após a retirada do implante de etonogestrel é rápido, sem atraso descrito. Com o DIU, a fertilidade também volta assim que o dispositivo é removido. Se o seu plano é engravidar, vale agendar uma consulta antes para orientação pré-concepcional.

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