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Quando buscar atendimento com mastologista: sinais e idade

Saiba quando procurar um mastologista: nódulo, alteração na pele, secreção, dor, histórico familiar e a idade em que a mamografia entra na rotina.

Dra. Maíra CamargosCRM/SP 184916 · RQE 108959 (Mastologia) · RQE 96892 (Ginecologia e Obstetrícia)7 min de leitura

Muita mulher só ouve falar em mastologista quando alguém próximo recebe um diagnóstico de câncer de mama. O nome do especialista chega junto com o susto, e aí se forma uma ideia equivocada: a de que essa consulta é sempre sinal de algo grave.

Não é bem assim.

O mastologista é o médico que cuida da saúde da mama em todas as fases da vida, da adolescência à menopausa. Ele acompanha mamas saudáveis, investiga alterações benignas, orienta sobre exames de imagem e, quando um tratamento cirúrgico é necessário, conduz essa parte do cuidado junto com os outros especialistas envolvidos. A maior parte do trabalho dele acontece longe do câncer.

Neste texto eu explico, com calma, o que esse especialista faz, quais sinais merecem uma avaliação e a partir de que idade o acompanhamento entra na sua rotina.

O que faz um mastologista

A mastologia é a área que cuida das mamas, femininas e masculinas. Na prática do consultório, o mastologista lida com situações bem variadas:

  • Avaliação de nódulos e de espessamentos, que são áreas da mama mais firmes ao toque
  • Investigação de dor mamária persistente
  • Avaliação de secreção pelo mamilo
  • Leitura dos resultados de mamografia, ultrassom e ressonância junto com você
  • Orientação sobre quando e com que frequência fazer exames de imagem
  • Acompanhamento de mulheres com histórico familiar de câncer de mama
  • Cirurgias como nodulectomia (retirada de um nódulo), correção de ginecomastia (aumento da mama masculina) e retirada de mamas acessórias (tecido de mama que se forma fora do lugar habitual, em geral perto da axila)
  • Cirurgias para tratamento do câncer de mama

Só o último item da lista fala em câncer.

Mastologista não é só para quem tem câncer

Essa é a parte que eu mais gosto de repetir nas consultas.

As entidades brasileiras da área, entre elas a FEBRASGO, que é a federação que reúne as associações brasileiras de ginecologia e obstetrícia, orientam que qualquer alteração na mama seja avaliada por um médico. E o lembrete vem sempre junto: essas alterações não significam necessariamente câncer. Boa parte das queixas de mama tem causa benigna, ligada ao ciclo hormonal, a alterações fibrocísticas (quando as mamas ficam mais nodulares e sensíveis em certas fases do mês) ou a nódulos benignos, como o fibroadenoma.

Só que existe um detalhe importante: não dá para saber isso pelo toque, nem pela internet, nem pela intuição. Quem separa o que é benigno do que precisa de investigação é o exame clínico somado, quando necessário, ao exame de imagem.

Então a lógica é essa: você não vai ao mastologista porque tem câncer. Você vai para entender, com tranquilidade, o que aquela alteração realmente é. Na maior parte das vezes, a causa encontrada é benigna.

Sinais que pedem uma avaliação

O Ministério da Saúde e o INCA, que é o instituto nacional de câncer ligado ao ministério, reúnem os principais sinais de alerta da mama em uma lista curta e fácil de guardar:

  1. Nódulo palpável na mama, geralmente endurecido, fixo e indolor, principalmente quando ele vem aumentando de tamanho
  2. Retração da pele ou do mamilo, incluindo o aspecto de casca de laranja
  3. Secreção pelo mamilo que sai sozinha, vem de um lado só e é sanguinolenta ou transparente como água
  4. Vermelhidão ou inchaço na pele da mama
  5. Nódulos palpáveis na axila ou na região do pescoço
  6. Lesão na pele do mamilo parecida com um eczema, ou seja, avermelhada e descamativa, que não melhora com pomada
  7. Aumento progressivo de uma das mamas ou mudança no formato de uma delas

Uma observação sobre o primeiro item, porque ele costuma ser lido ao contrário. Quando o câncer de mama é percebido pela própria mulher, o nódulo é a forma mais comum de ele se manifestar, em cerca de 90% dessas situações. Isso não quer dizer que 90% dos nódulos sejam câncer. É justamente o contrário: a maioria dos nódulos de mama é benigna. O número diz por onde a doença costuma aparecer, e não a chance de um nódulo ser grave.

Vale incluir aqui também a dor mamária persistente, aquela que se concentra em um ponto só ou atrapalha o seu dia. Dor sozinha raramente indica câncer, mas ela merece explicação.

Uma orientação vale para todos esses sinais: quando eles aparecem, a investigação acontece independentemente da sua idade. Não existe "sou nova demais para isso".

Histórico familiar muda o acompanhamento

Se na sua família houve câncer de mama ou de ovário, o seu acompanhamento provavelmente começa mais cedo e é montado sob medida.

O peso é maior quando o caso aconteceu em mãe, irmã ou filha: câncer de mama diagnosticado antes dos 50 anos, câncer que apareceu nas duas mamas em qualquer idade, ou câncer de ovário em qualquer idade. Câncer de mama em um homem da família também entra na conta, em qualquer grau de parentesco.

A Linha de Cuidado do câncer de mama do Ministério da Saúde orienta um rastreamento individualizado para essas mulheres. Rastreamento é o nome do exame feito de rotina em quem não sente nada e não tem nenhum sintoma. Nesses casos ele costuma ser anual, com mamografia a partir dos 30 anos. Quando existe história familiar, a idade de início é calculada dez anos antes da idade em que o parente mais jovem foi diagnosticado, nunca antes dos 30. Em algumas situações entram exames complementares, como ultrassom ou ressonância.

Entram nesse grupo, entre outras situações, mulheres com alteração nos genes BRCA1 ou BRCA2, que são genes ligados a um risco maior de câncer de mama e de ovário e que podem passar de uma geração para outra, quem fez radioterapia no tórax antes dos 30 anos e quem já teve câncer de mama.

Se esse é o seu caso, leve a história da família para a consulta. Quem teve, com que idade, qual mama, se houve câncer de ovário, se algum homem da família foi diagnosticado. Esses detalhes mudam o plano.

Resultado de exame alterado

Receber um laudo com a palavra "nódulo", "cisto" ou uma classificação BI-RADS costuma assustar. O BI-RADS é apenas uma escala que o radiologista usa para organizar o achado e indicar qual conduta ele sugere. Boa parte dos laudos cai nas categorias que pedem só acompanhamento de rotina, sem nenhum tratamento.

Um laudo não é diagnóstico. Ele é uma peça de informação que precisa ser lida junto com o seu exame clínico, a sua idade e a sua história. Essa leitura é o trabalho do mastologista.

Se você recebeu um resultado alterado, marque a consulta e leve o exame com as imagens e com os exames antigos, se tiver. A comparação com o passado ajuda muito.

A partir de que idade entra na rotina

Aqui eu preciso ser bem clara, porque existe mais de uma recomendação vigente no Brasil e você merece conhecer as duas.

A orientação oficial do Ministério da Saúde e do INCA, atualizada em setembro de 2025, é que mulheres sem sinais ou sintomas façam mamografia de rastreamento dos 50 aos 74 anos, a cada dois anos. Até então, o limite era 69 anos.

E entre 40 e 49 anos? O exame não é oferecido como rotina para todas. Mas ele também não está fora do seu alcance. O SUS não impede que mulheres nessa faixa, e também acima dos 74 anos, façam a mamografia. A orientação é que a decisão seja tomada junto com o profissional de saúde, depois de uma conversa sobre os benefícios e os riscos do exame nessa idade. É o que se chama de decisão compartilhada.

Já a Sociedade Brasileira de Mastologia, a FEBRASGO e o Colégio Brasileiro de Radiologia recomendam mamografia anual a partir dos 40 anos, seguindo até os 74 anos e de forma individualizada a partir dos 75. O argumento delas é que uma parcela relevante dos diagnósticos acontece antes dos 50.

As duas posições são brasileiras, são baseadas em evidência e pesam coisas diferentes: uma olha para o equilíbrio entre benefício e risco na população inteira, a outra para os casos que aparecem mais cedo. Não existe resposta única para todas as mulheres, e é justamente por isso que essa escolha merece uma conversa, não um número decorado.

E antes da mamografia, o que existe? A consulta de rotina. As sociedades de ginecologia e de mastologia recomendam que o exame das mamas feito pelo médico faça parte da consulta anual. O INCA tem uma posição mais reservada e entende que ainda faltam evidências para indicar esse exame como método de rastreamento em quem não tem nenhum sintoma. O que não está em discussão é o valor da consulta: é nela que a sua história é ouvida, que qualquer alteração percebida por você é avaliada e que o seu plano é montado.

Conhecer as próprias mamas

O INCA hoje não recomenda ensinar o autoexame como técnica formal, com dia marcado e sequência de movimentos. A orientação é outra e é mais gentil: conhecer as próprias mamas, o que também aparece como consciência sobre a saúde das mamas.

Significa observar e apalpar as mamas sempre que você se sentir confortável, no banho, ao se vestir, sem ritual e sem cobrança. Saber como as suas mamas normalmente são e como elas mudam ao longo do ciclo. Quando você conhece o seu normal, percebe rápido o que fugiu dele.

Essa percepção não substitui o exame clínico nem a mamografia. Ela é o que te leva ao consultório na hora certa.

O que esperar da consulta

Uma consulta em mastologia costuma ser mais tranquila do que a expectativa que se cria antes dela. Conversamos sobre a sua história, a da sua família, o seu ciclo, uso de hormônios, gestações e amamentação. Depois vem o exame clínico das mamas e das axilas. Se for necessário, peço exames de imagem e explico cada resultado em linguagem que você entenda.

A ideia é que você saia de lá entendendo o que foi avaliado, o que ainda precisa ser investigado e qual é o próximo passo. Nem toda consulta termina com uma resposta fechada, e tudo bem. Às vezes o passo seguinte é um exame, um retorno em alguns meses ou uma nova avaliação. O que muda é você caminhar com clareza, e não no escuro.

Entender o próprio corpo é um passo essencial para a saúde da mulher, e marcar essa consulta é um gesto de cuidado com você mesma, não um sinal de que algo está errado.

Este conteúdo é informativo e serve para te ajudar a fazer boas perguntas. Ele não substitui a avaliação médica individual, porque cada história é única e só a consulta permite conclusões sobre o seu caso.

Se você percebeu alguma alteração, recebeu um resultado que gerou dúvida ou simplesmente quer colocar o acompanhamento das mamas em dia, vamos conversar. Agende sua consulta presencial em Araçatuba pelo telefone (11) 92452-2710 ou sua consulta online pelo (11) 99106-3654. Será um prazer cuidar de você.

Fontes consultadas

Este texto é informativo e não substitui a consulta médica. Ele não serve como diagnóstico nem como indicação de tratamento para o seu caso.

Sobre este assunto

Perguntas que aparecem no consultório

Preciso de encaminhamento do ginecologista para consultar com mastologista?
Não é obrigatório. Você pode marcar a consulta diretamente quando perceber alguma alteração na mama, receber um resultado de exame que gerou dúvida ou quiser organizar o acompanhamento. O encaminhamento do ginecologista é comum, mas não é um pré-requisito para o atendimento particular.
Tenho menos de 40 anos e senti um nódulo. Sou nova demais para me preocupar?
Idade não é critério para deixar um sinal sem avaliação. A orientação do Ministério da Saúde é que nódulo palpável, secreção pelo mamilo, retração de pele e outras alterações sejam investigados independentemente da faixa etária. Vale lembrar que boa parte dos nódulos em mulheres jovens tem causa benigna, e a avaliação serve justamente para esclarecer isso.
Com que idade devo começar a fazer mamografia?
Depende da recomendação seguida e do seu risco individual. O Ministério da Saúde e o INCA recomendam mamografia de rastreamento dos 50 aos 74 anos, a cada dois anos, permitindo o exame entre 40 e 49 anos por decisão compartilhada com o médico. Já a Sociedade Brasileira de Mastologia, a FEBRASGO e o Colégio Brasileiro de Radiologia recomendam o exame anual a partir dos 40 anos. Mulheres com risco aumentado costumam iniciar o acompanhamento mais cedo, de forma individualizada.
O autoexame das mamas ainda é recomendado?
O INCA não recomenda mais o autoexame como técnica formal, com dia marcado e sequência de movimentos. A orientação atual é a consciência sobre a saúde das mamas, ou seja, conhecer o seu corpo no dia a dia e procurar o médico ao notar algo diferente do seu normal. Essa percepção é valiosa, mas não substitui o exame clínico nem os exames de imagem.

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